terça-feira, 7 de maio de 2013

1ª Carta para o padre João Batista Libânio.

Belo Horizonte, 13 de Setembro de 1992. Caro amigo e companheiro em Cristo Jesus, nosso Mestre e guia. Padre João Batista Libânio, que os ensinamentos de Jesus nos ajudem a encontrar a VERDADE, que liberta; que o amor, a luz e a paz transmitidos a nós por Jesus possam unir a todos nós para a construção do Reino de Deus, dos Céus ou de Jesus, que é de liberdade até de pensamento, de humildade até para os líderes, de paz, de compreensão, de sabedoria e de moralidade, onde todos seremos considerados realmente como irmãos, amigos e companheiros. Uma das grandes dificuldades para encontrar a verdadeira Verdade é o medo e o temor de “pensar no já pensado”, como também o imenso receio de descobrir “erros e interpretações erradas em princípios considerados como verdadeiros”. Muitos princípios, tidos como certos, não passam pelo crivo de uma análise crítica e pela lógica de uma avaliação consciente, liberal e racional. Padre J. B. Libânio, já há bastante tempo que tenho vontade de escrever-lhe, quem sabe poderei encontrar em você um amigo para poder “aprofundar e revelar as minhas descobertas”. Esse interesse vem desde que li um artigo seu: “Conjuntura Eclesial: A Reflexão do Teólogo J. B. Libânio”, de 22/11/1988. Mas o tempo passou e eu não escrevi. Agora voltei a ver o seu nome no “Estado de Minas” de 19/08/92, no artigo intitulado: “Igreja Revê a Inquisição”. Gostei muito do artigo e é bom a gente encontrar teólogos, que aceitem e reconhecem que a Igreja, como instituição, cometeu erros, violências arbitrárias e injustiças, violando os “Direitos Humanos” e tendo agido como agiram e agem no século XX as terríveis e temíveis polícias secretas: KGB, Gestapo, CIA, FBI, SNI, DOPS e outras, que torturaram, supliciaram e fizeram de tudo, fazendo até desaparecer as provas do crime: os cadáveres. Muitos anticatólicos condenam a “Inquisição” sem tomarem conhecimento e terem ciência daquilo que a Igreja tem de belo e de bom: “a vivência do verdadeiro amor ensinado por Jesus na beleza do servir e na liberdade de encontrar e viver com a VERDADE”. Uma verdadeira comunidade comunista (hoje não deve ser mais crime e nem perigoso falar assim) é evangélica, amorosa, humilde e humana e é vivida segundo os princípios do Evangelho. O comunismo ateu, destruído por Gorbachev, era mais ditatorial do que os regimes absolutistas do passado e sem ter nada de “comunitário”, deixou de enganar ao povo e de fazer com que os defensores do Evangelho fossem presos e torturados, como agentes da esquerda. Os regimes comunistas só conseguiram se impor por tanto tempo porque tomaram o poder pela força das armas e mataram as lideranças contrárias, controlaram o povo a ferro e fogo na lei do fuzil, do terror e dos tanques. Sou um leigo e estudo teologia por conta própria. Até hoje não consegui um companheiro e amigo, que me ajude a “desenvolver minhas teses”. Hoje encontro e vejo explicações para muitas perguntas, que não tinham respostas convincentes e lógicas, que eu fazia em minha vida de estudante, de seminarista e de “católico, ainda silencioso”. O meu estudo de teologia tem um profundo relacionamento com a matemática, como fez Pitágoras e também sou um fã da evolução e de Teilhard de Chardin, só que minha tese evolutiva é diferente, pois não tende para a UNIDADE, mas para a perfeição de cada individualidade. Dentro da matemática (geometria) para falar ou referir-se a Deus-Pai-Mãe Criador utilizo da figura da “RETA” (Deus = Reta), pois a reta não tem princípio e nem fim, por um mesmo ponto pode-se traçar um número indefinido de retas e todas são iguais, com a mesma perfeição e o mesmo tamanho infinitos. Só com uma idéia perfeita e infinita pode-se falar de Deus, que é também infinito e perfeito. Hoje posso falar assim: “Só existe mistério por causa da falta de conhecimento ou da ignorância sobre o assunto. Só existem milagres para quem ignora as leis superiores ou do céu”. Vou expor agora uma de minhas teses, que é: “DEUS NÃO PERDOA NUNCA”. Antes de explicar a tese, primeiro farei um comentário sobre outra tese teológica, que ouvi sem ter concordado com ela: “A ofensa cometida pelo homem contra Deus era maior do que o ofensor, por isso o homem não tinha autoridade e nem capacidade de pedir e alcançar o perdão da ofensa cometida contra o ofendido: Deus. O homem não podia alcançar a sua redenção. Então Deus enviou seu Filho, Jesus, como Salvador da humanidade, limpando e resgatando a culpa originada pela desobediência do homem, que foi a causa de sua expulsão do paraíso”. Nesta tese é muito bonito ver a dimensão do amor de Deus, mas é de uma grande falta de lógica e de razão para com a perfeição, a sabedoria e a humildade de Deus, como também com a capacidade de compreensão de Deus para com todos nós. Para mim é difícil pensar que os homens (teólogos) chegaram à conclusão que para que Deus perdoasse a humanidade foi necessária, aceita e até exigida por Deus a morte de Jesus, seu Filho, na cruz e ainda por um julgamento injusto e um drama cheio de traições, realmente um acontecimento digno da perfídia de muitos falsos líderes da humanidade. Agora vou apresentar a justificativa e defesa da tese que é: “DEUS NÃO PERDOA NUNCA”. Deus não perdoa nunca porque Ele é sábio, perfeito, bom, justo e compreensivo. Tudo em Deus tem que ser o melhor possível, pois senão um outro seria melhor do que Ele em algum atributo e aí Deus teria que melhorar em alguma coisa. Deus não perdoa nunca porque para que houvesse necessidade do perdão por parte de Deus, é porque antes Ele teria se sentido ofendido, e se Deus se ofendesse Ele não seria Deus, pois Deus é amor, paciência, compreensão, sabedoria e humildade em plenitude. Quem é sábio, perfeito, bom, justo e compreensivo nunca se sente ofendido. Então, como Deus é perfeito em tudo Ele nunca se sentiu ofendido, nunca foi ofendido, por isso Ele não tem nada para perdoar. Só tem que perdoar aquele que se sente ofendido e quem se sente ofendido não é ainda perfeito. Se entre os homens mais sábios e mais justos já existem aqueles que não se ofendem de maneira nenhuma e esta é a meta a ser atingida por todo ser humano: A PERFEIÇÃO. Como podemos negar esta capacidade para Deus? Como puderam ensinar que Deus sentiu-se ofendido pelo ser humano e ainda foi necessária a morte de Jesus na cruz para redimir o gênero humano? Para mim é o mesmo que defender que Deus não é perfeito. Gostaria de ouvir a sua opinião sobre esta tese e como você a correlacionaria com a prece de Jesus no “Getsêmani”, relatada em Mateus 26,39 (Bíblia de Jerusalém): “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres”. E também: “Meu Pai, se não é possível que isto passe sem que eu o beba, seja feita atua vontade” (Mt 26,42). “Abba! Ó Pai! Tudo é possível para ti; afasta de mim este cálice; porém, não o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14,36). “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita” (Lc 22,42). Mateus e Marcos citam que o apóstolo João foi um dos três que estavam mais próximos de Jesus e João não fez referências a esta prece antes da prisão de Jesus (João 18,1 a 10). Por que e qual a razão da diferença? Para mim estas citações (orações) não são racionais e nem divinas ou humanas, pois Deus-Pai-Mãe que é amor em plenitude, bom, perfeito e justo não deve ter agido como muitos pensam e ensinam que Ele agiu. Vemos aqui uma atitude não muito digna de qualquer “ser humano” e que nenhum homem bom e justo a faria. Como então os teólogos e três evangelistas ensinaram e ensinam que Deus agiu como agiu com Jesus? Atribuir uma atitude desta a Deus mostra claramente que quem assim fez e faz não compreende nada mesmo da “perfeição, justiça, amor, sabedoria, compreensão, liberdade e humildade de Deus”. Quem queria se livrar do homem-Jesus deve ser o mesmo espírito que induziu que o patriarca Abraão fizesse o sacrifício do filho dele com Sara: Isaac; pois esse comportamento hoje é considerado como demoníaco (de magia negra), e muito digno de polícia e de justiça. Realmente Jesus veio nos ajudar e ensinar por amor e altruísmo o caminho da perfeição: “Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial” ou “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) e “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Quem realmente ficou beneficiado com a morte de Jesus foi o líder civil e ou religioso, ou melhor, as lideranças religiosas e civis foram beneficiadas com a morte de Jesus, pois assim o “povo” continuou sendo explorado financeira e mentalmente pelos líderes civis e ou religiosos. Paz em Jesus, o Cristo, que veio nos mostrar o caminho da salvação, da perfeição e nos ensinar que Deus é Pai, é amor e até Mãe, e, não “um Deus guerreiro”, que concede prêmios aos que lhe obedecem e vinga daqueles que o abandonam. Paz e liberdade, esse é o que desejo a você, que é um irmão e amigo em Jesus... Rosário Américo de Resende.

Nenhum comentário: