sábado, 18 de maio de 2013

2ª carta para o padre João Batista Libânio.

Belo Horizonte, 01 de Janeiro de 1993. Caro amigo e companheiro em Cristo Jesus, nosso Mestre. Padre João Batista Libânio, a busca da Verdade libertadora e sua divulgação é uma responsabilidade de todos nós: os filhos(as) de Deus. Quem encontra a Verdade torna-se livre, compreensível, humilde e está repleto de amor, paz, bondade e sabedoria: é um mestre pronto a ajudar a todos e a ensinar a todos aqueles que querem aprender consciente e livremente. Fiquei muito contente mesmo em receber sua resposta, mesmo que não tenha exposto suas opiniões sobre minhas colocações, mas a sua atenção muito me confortou. Quero deixar claro que dentro da minha tese: “Deus Não Perdoa Nunca”, a qual defendi em minha carta anterior, não existe “pecado” (= ofensa contra Deus) e por isso não existe também a possibilidade de “ruptura de nossa relação com Deus”. Também quero dizer que quando o “doador se ofende com a rejeição de um presente”, isso só é possível quando o doador não é perfeito e estamos ainda com plena visão humana e bem imperfeita. Padre Libânio, você me entendeu quando expus que aprendemos falsos conceitos e pseudas idéias sobre Deus (“o lado frágil e errado da afirmação”), mas quando você defendeu “um lado verdadeiro”, ainda continuou dentro de conceitos humanos bem imperfeitos, tentando aplicá-los a “Deus-Pai-Mãe”. Para mim não existe o pecado contra Deus, como me foi ensinado e o “perfeito doador” nunca se ofende com qualquer rejeição de presentes. Realmente sabemos mais o que Deus não é do que o que Ele é. Existe sim muita ofensa e muita ruptura entre nós: os filhos(as) de Deus. Vou agora expor outra tese minha, que é uma bomba, que é: “O TENTADOR DE JESUS É O MESMO ESPÍRITO, QUE MOISÉS CONSIDEROU COMO DEUS: IAHWEH”. Essa grande diferença: Deus e Satanás (Lúcifer), foi por causa da própria perfeição de Jesus comparada com a imperfeição do profeta Moisés. Moisés foi um assassino (Ex 2,12) antes de receber a revelação de sua missão. Defendendo essa tese cito os seguintes trechos bíblicos (todos os trechos bíblicos são da Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas) e faço também os seguintes comentários: 1 - As tentações de Jesus: 1.1 - “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4,3). Para quem tem fome, é muito lógico mesmo este milagre: “transformar pedras em pães”. Jesus fez duas multiplicações de pães e de peixes (Mt 14,13 a 21; 15,32 a 39) para alimentar aqueles que o seguiam para ouvi-lo. Jesus transformou água em vinho (Jo 2,1 a 12) a um pedido de sua mãe para resolver um problema dum noivo. Finalmente, a pedido de Jesus, foram feitas duas pescas maravilhosas (Lc 5,1 a 7 e Jo 21,1 a 14). 1.2 - “Se és Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: “Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra”” (Mt 4,6). Vê-se que o “tentador” conhece a Bíblia e não teme em citá-la. Temos aqui uma tentação contra as leis da natureza. Jesus agiu contra as leis da natureza quando acalmou uma tempestade (Mt 8,26 e seguintes). Vê-se também que as forças da natureza recebem ordens e obedecem. 1.3 - “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4,9). Cada um tem o “Deus” que deseja e que escolhe. Não estou analisando aqui agora as respostas de Jesus, que não aceitou nenhum tipo de imposição para com ele (Jesus). Jesus não abriu mão de sua liberdade de agir, decidir, raciocinar e orar. Quem nos “obriga” a qualquer coisa não é perfeito, pois tira a nossa liberdade, o nosso livre-arbítrio e a nossa vontade. Nas duas primeiras tentações o tentador faz alusão ao “Filho de Deus” e hoje sabemos que todos nós somos “filhos de Deus”. Em outro trecho do Evangelho (Mt 26,63 e 64) Jesus respondeu ao Sumo Sacerdote Caifás que ele era “o Cristo, o Filho de Deus” e por isso foi condenado pelo poder religioso, unido ao poder civil, à morte e morte de cruz. Houve um julgamento injusto, falso e cheio de traições antes, durante e depois. 2 - O Deus de Moisés: IAHWEH (JEOVÁ). Fazendo uma comparação com a 1ª tentação, onde Jesus não aceitou a imposição do “Tentador”, mesmo tendo feito depois os milagres das Bodas de Caná, multiplicações de pães e de peixes, pescas maravilhosas por iniciativa própria e a pedido de sua mãe, Maria de Nazaré, temos por outro lado passagens onde Moisés aceitou estas imposições ou auxílios de Iahweh, como: 2.1.a - “Iahweh disse a Moisés: “Passa adiante do povo e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; leva contigo, na mão, a vara com que feriste o Rio, e vai. Eis que estarei diante de ti, sobre a rocha (em Horeb); ferirás a rocha, dela sairá água e o povo beberá”. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel” (Ex 17,5 e 6). Em Números 20,2 a 11, temos outra narração do mesmo assunto. Veja ainda que Iahweh condenou a (vingou de) Moisés, por este ter batido a vara por duas vezes e não uma, por não ter obedecido cegamente a Iahweh: quem vinga (ou condena) não é plenamente perfeito, sábio e puro. 2.1.b - “Iahweh falou a Moisés, dizendo: “Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel; dize-lhes: Ao crepúsculo comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão; e sabereis que eu sou Iahweh vosso Deus” (Ex 16,11 e 12). E assim foi feito e realizado. 2.1.c - “Os filhos de Israel comeram maná durante quarenta anos, até chegarem à terra habitada; comeram maná até chegarem aos confins do País de Canaã” (Ex 16,35). Outra prova que Moisés aceitou o pão de Iahweh. Com relação à 2ª tentação de Jesus: um ato que seria milagroso (anormal, paranormal ou sobrenatural) e contra as leis da natureza, que só serviria para Jesus confiar no “Tentador”, temos várias passagens onde Moisés obedeceu e até cumpriu cegamente as ordens de Iahweh, como: 2.2.a - “Então lhe disse (Iahweh): “Lança-a na terra”. Ele a lançou na terra, e ela se transformou em cobra, e Moisés fugiu dela” (Ex 4,3). 2.2.b - “Iahweh disse-lhe ainda: “Põe a mão no peito”. Ele pôs a mão no peito e, tirando-a, eis que a mão estava leprosa, branca como a neve. Iahweh lhe disse: “Torna a pôr a mão no peito”. Ele colocou novamente a mão no peito e retirou, e eis que havia se tornado como o restante de sua carne” (Ex 4,6 e 7). 2.2.c - “Se não acreditarem nesses dois sinais, nem ouvirem a tua voz, tomarás da água do Rio e a derramarás na terra seca; e a água que tomares do Rio se transformará em sangue sobre a terra seca” (Ex 4,9). 2.2.d - As pragas contra o Egito narradas em Êxodo 7 a 10. Nestas 9 pragas, que foram feitas contra o Egito, existiram muitos atos contra as leis da natureza ou mesmo fenômenos considerados anormais ou paranormais para os dias de hoje. 2.2.e - Na 10ª praga (Ex 12,29 a 34) que foi a morte dos primogênitos houve até uma ação considerada hoje como de “magia negra”, um caso criminoso e de polícia. 2.2.f - “E Iahweh ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite” (Ex 3,21). 2.2.g “Iahweh disse a Moisés: “Por que clamas por mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar” (Ex 14,15 e 16). 2.2.h - “E aconteceu que, acabando de pronunciar todas essas palavras, o solo se fendeu sob os seus pés, a terra abriu a sua boca e os engoliu, eles e suas famílias, bem como todos os homens de Coré e todos os seus bens” (Num 16,31 e 32). Existem ainda muitas outras passagens além destas citadas. Finalmente com relação à 3ª tentação de Jesus, onde se oferece a ele todos os reinos da terra em troca da obediência cega e da adoração absoluta, temos várias passagens onde Iahweh exige obediência cega e adoração absoluta, e em troca Iahweh promete e dá a Moisés os “reinos da terra”, como: 2.3.a - Todos os oito trechos referidos nos itens 2.2.a a 2.2.h foram acontecimentos para dar força, confiança e fé no poder de Iahweh, que também tinham como objetivo a “conquista dos reinos da terra”. 2.3.b - “Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel, o lugar dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos haveus e dos jebuseus” (Ex 3,8). Em Êxodo 3,16 a 20, vemos as instruções dadas por Iahweh ensinando como Moisés deveria agir para obter o sucesso na conquista dos “reinos da terra”. 2.3.c - “Moisés e Arão foram a Faraó, e fizeram como Iahweh ordenara. Lançou Arão a sua vara diante de Faraó e diante de seus servos e ela se transformou em cobra. Faraó, porém, convocou os sábios e os encantadores de cobras. Ora, também, eles, os magos do Egito, com suas ciências ocultas, fizeram o mesmo. Pois lançou cada um a sua vara, e elas se tornaram cobras. Mas a vara de Arão devorou as varas deles. Contudo, o coração de faraó se endureceu e não os ouviu, como Iahweh havia predito” (Ex 7,10 a 13). Neste trecho vê-se claro que Iahweh ensinou “ciências ocultas” a Moisés e Arão, e na base de luta, com poder e força, venceu o conhecimento dos sábios do Egito, com o objetivo de dar “os reinos da terra a Moisés”. Tudo isso, que está relatado, hoje é considerado como atos de “magia negra”. 2.3.d - “Iahweh disse a Moisés: “Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem contra os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros”. Moisés estendeu a mão sobre o mar e este, ao romper da manhã, voltou para o seu leito” (Ex 14,26 e 27). Aqui Iahweh deu uma vitória terrena a Moisés, dando-lhe os reinos da terra com a destruição e extermínio do exército do Faraó. 2.3.e - Em Êxodo 17,8 a 16 está descrito o combate e a vitória sobre Amalec com auxílio de Iahweh, isto é uma doação de “reinos da terra”: “Assim as suas mãos ficaram firmes até o por do sol. E Josué pôs em fuga Amalec e seu povo ao fio da espada” (Ex 17,12c e 13). 2.3.f - Em Números 16 pode-se vê o extermínio de todos aqueles que se opunham a Moisés, pois se assim não fosse os poderes de Moisés e Iahweh seriam abalados, era necessária uma obediência cega até pelo medo e terror. “Moisés, ouvindo isso prostrou-se com a face em terra. Depois disse a Coré e a toda a sua comunidade: “Amanhã cedo Iahweh fará conhecer quem é dele e qual é o homem consagrado que permitirá aproximar-se dele. Aquele que ele fizer aproximar-se dele, esse é aquele que ele escolheu” (Num 16,4 e 5). Vide item 2.2.h anterior. 2.3.g - Em Êxodo 32 temos outra passagem em que se mostra a exigência da cega obediência e adoração absoluta a Iahweh: “Ele (Moisés) lhes disse: “Assim fala Iahweh, o Deus de Israel: Cinja, cada um de vós, a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo acampamento, de porta em porta, e mate, cada qual, a seu irmão, a seu amigo, a seu parente” (Ex 32,27). Foram mortos uns três mil homens e como fica aqui o mandamento: “Não Matarás”? (Ex 20,13 e Dt 5,17). Quando é que se deve obedecer: quando manda matar ou quando deu o mandamento: Não Matarás? 2.3.h - “É a Iahweh teu Deus que temerás. A ele servirás e pelo teu nome jurarás" (Dt 6,13). Vemos aqui a exigência de obediência a ferro e fogo, e desse jeito não é possível haver liberdade e amor. 2.3.i - Em Êxodo 20,1 a 11 e Deuteronômio 5,5 a 15 no Decálogo vemos a exigência da adoração e obediência absoluta: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3 e Dt 5,7). 2.3.j - “Pois teu Deus Iahweh é um fogo devorador. Ele é um Deus ciumento” (Dt 4,24). Aqui vê-se o comando absoluto pelo ciúme e pelo temor, e onde fica a liberdade, o livre-arbítrio e o amor? 2.3.l - “Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vosso dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33). Onde fica o respeito aos outros? Uns terão que obedecer e outros serão vencidos por ordem e mando de Iahweh. 2.3.m - “Ouve, ó Israel; Iahweh nosso Deus é o único Iahweh! Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4 e 5). Israel é livre desde que ama e obedece a Iahweh. Não há possibilidade de existir um amor verdadeiro enquanto existir uma obrigação, o medo e o terror. 2.3.n - “Não vos volteis para os ídolos e não mandeis fundir deuses de metal. Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,4). Vemos aqui a exigência de seguir e ouvir exclusivamente a Iahweh e em troca Iahweh irá dar “os reinos da terra”, eliminando todos os adversários com todo o poder. Além destes trechos citados existem muitos outros que mostram a necessidade de obedecer sempre às ordens de Iahweh, caso contrário virá o castigo, a vingança, a cobrança, as derrotas e até o extermínio pela morte física. Um jeito de sempre impor-se pelo medo e terror. O “Tentador de Jesus” tinha conseguido um grande feito através de Moisés: “a libertação do povo israelita da escravidão no Egito. Conduziu o mesmo povo pelo deserto durante 40 anos e auxiliou-o na conquista da Palestina, terra onde mana leite e mel”. Para conseguir aquele feito grandioso era necessário que Moisés o considerasse como o “Deus Absoluto” e o obedecesse cegamente, perdendo o direito dele de raciocinar e a liberdade de agir. Foi exigida de Moisés a execução de muitas e muitas mortes, até de seus compatriotas. O “Tentador de Jesus” queria conseguir um outro grande feito por intermédio de Jesus: “A libertação do povo judeu (os israelitas) do domínio romano, fundando o grande império judeu”, aquilo que todos judeus esperavam, como citam os “Evangelhos” e ainda esperam até hoje. Este desejo incutido no “inconsciente de todo judeu ou no inconsciente coletivo dos judeus” é fruto do espírito Iahweh ou do Tentador de Jesus, que para muitos é o próprio Satanás”. Jesus afastou o “espírito tentador”, considerando-o como Satanás, abrindo o “caminho para sintonizar-se com outro espírito mais evoluído e mais perfeito: Deus-Pai”, porque Jesus era e é muito mais evoluído do que Moisés, que estava atrás dos reinos da terra e queria vingar do outro príncipe egípcio: Ramsés II. Podemos também ver aqui uma evolução até da compreensão de Deus, que deixou de ser o Deus dos Exércitos para ser o “Deus-Pai” e hoje eu já O chamo de “Deus-Pai-Mãe”, que nos criou por amor, nos guia por amor, nos ensina como bom mestre, como pai, mãe e está sempre pronto a nos ajudar a encontrar a Verdade, respeitando o nosso direito ou nossa liberdade até de errar. Deus-Pai-Mãe nos entende, nos compreende, nos conhece, nos respeita e nos ama infinitamente. Deus sempre foi, é e será o mesmo, o que evolui é a nossa capacidade de compreensão e o nosso conhecimento sobre Ele-Ela, pois nós estamos sempre em evolução; isto é: aproximando-nos cada vez mais da meta dada por Jesus: “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). O “Deus de Moisés” não é o “Deus de Jesus” e disso eu já tenho conhecimento há alguns anos, mas não tenho como divulgar e com essa carta tiro um pouco da responsabilidade e do peso, que está em meus ombros. Padre João Batista Libânio, sei que estou lhe enviando um “bomba teológica”, mas preciso passar para frente aquilo que já sei, pois caso contrário outros o irão fazer, sem realmente entender o que entendo e sem saber o que sei. Sei que não sei tudo, mas sei também que sei um pouco mais do que os outros ou outros e só eu sei daquilo que vivi e das minhas experiências de vida. Só eu sei como “Deus” agiu e age comigo, em mim e por mim. Também agindo como estou agindo, cumpro um pouco da minha obrigação e alivio o peso da responsabilidade, que está sobre os meus ombros. A Verdade deve estar acima de tudo, a VERDADE está com Deus e com aqueles que o próprio Deus escolhe, após critérios que só Deus mesmo sabe e entende. Tudo depende da evolução individual de cada um e da evolução de toda a humanidade. Espero suas análises, seu auxílio e sua compreensão. Paz, amor, sabedoria e liberdade para todos. Só Deus sabe a hora em que o fruto está maduro ou em que o mestre deva aparecer para matar a sede e fome de todos aqueles que têm fome e sede da sabedoria, da Verdade, de “si mesmo” (o reino de Deus está dentro de cada um) e de “Deus-Pai-Mãe”. Que a PAZ reine no ano de 1993. Abraços do irmão e amigo em Jesus... Rosário Américo de Resende.

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